Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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O ENCANTO DAS MULHERES GALINHAS

Tive uma educação rígida demais. Tinha liberdade para sair, mas o tanto de recomendações que eu ouvia dentro de casa não me permitiam ir muito longe. Lembro-me bem, ou melhor, muito mal de um episódio que me marcou. Iria haver um show de um conjunto americano que fez muito sucesso nos anos sessenta - Herman's Hermits. Não sei quem que trabalhava na TV Globo poderia dar os convites para mim, minhas primas e duas vizinhas, todas com 13 anos no máximo. Só que eu ouvia que televisão era um antro de perdição e moça que se dava ao respeito não poderia de forma alguma colocar os pés em nenhuma emissora. Todas as mulheres atrizes tinham um pé na prostituição. Ficamos eu e mais as meninas um tempão na porta daquela televisão e não havia meios de eu conseguir ultrapassar o portão. Elas apresentaram todos os argumentos do mundo, mas nenhum deles foi suficiente para desobedecer a minha mãe. Resultado, voltamos todas para casa sem convite algum, aliás nem sei se essa história dos convites era prá valer.

O tempo passou, comecei a pensar por conta própria e criei as minhas próprias regras que mesmo assim continuavam muito severas. Não era mais virgem, mas virginal na minha maneira de me comportar. Uma mulher emancipada por um lado, cheia de atitudes super modernas, só que sufocada por uma mocinha infantil que se recusava a me abandonar. Eu imagino o tanto de rapazes que deviam me achar ridícula.

O tempo passou mais uma vez e eu descobri que aquelas moças, que eu tanto condenava, eram muito mais disputadas do que eu e, mesmo sendo galinhas, tinham uma fila de homens atrás delas. Eu, a certinha, por vezes ficava encalhada por algum período, enquanto as outras estavam sempre com alguém do lado. Daí, passei a observar mais os primos e amigos para tentar entender o motivo de eles se interessarem por moças que não tinham o comportamento dito certo naquela época. Com isso, deixei de ser alguém que tinha uma visão apenas feminina e comecei a lançar mão do lado masculino que existe dentro de mim. Passei a ser muito mais feliz, sem preconceitos e tomei conhecimento de que não existe mulher galinha e sim mulher bem resolvida com a sua sexualidade, sem se importar com a opinião alheia. Quando uma pessoa não tem dúvidas sobre o que quer na vida, DESDE QUE NÃO PREJUDIQUE NINGUÉM, parece que existe uma conspiração cósmica para que tudo dê certo.

Relendo o título da coluna e o meu texto, verifiquei que a palavra galinha pode dar uma interpretação diferente da que eu quero usar. Na minha época de adolescente, galinha era o primeiro estágio da vagabundagem, digamos assim. Eram as moças namoradeiras demais. Já as piranhas eram as mais safadas que faziam coisas do arco da velha, rsrsrs. Já a puta era a paga para fazer essas mesmas coisas, rsrsrs. Então a galinha era a mais bobinha do grupo.

Continuo tendo alguns preconceitos e não tenho vergonha de assumí-los. Hipócrita é quem diz que não tem nenhum preconceito. Não gosto de um monte de coisas que existem por aí e condeno o comportamento de certas mulheres que só fazem me envergonhar por ser do sexo feminino, mas isso é papo para outra coluna.

O que importa é constatar que mesmo já tendo decorrido quase uma década do novo milênio, ainda vejo moças que se portam como se meninas fossem dos anos cinquenta, cheias de dificuldades quando se relacionam com os rapazes. Acho que depois de não sei quantos anos ouvindo que mulher pode isso e não pode aquilo, alguma coisa ficou em nossas cabeças e não sai de jeito e maneira alguma. Então, quero parabenizar quem tem coragem de mandar tudo para o espaço. Um viva para as galinhas.

Beijocas

Yvonne