Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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TRAJE PASSEIO COMPLETO

Amigos, o texto abaixo foi escrito em julho de 2003 e enviado para um grupo de amigos do Yahoo. Espero que gostem:


Hoje o Arthur Xexéo em sua coluna, falou sobre a gafe cometida pelo Lula ao ter se recusado a colocar a casaca para a cerimônia oferecida pelo rei da Espanha. Não vou falar sobre esse assunto que já foi exaustivamente debatido por todos os jornais. Lembrou ainda aquele jornalista os micos que ele mesmo já pagou na vida no que diz respeito a trajes a rigor.

Eu, como não poderia deixar de ser, lembrei-me também de um mico pavoroso que passei. O ano deve ter sido 1970 ou 1971. Apaixonada que era pelos Beatles, tive a oportunidade de conhecer a cítara que foi tocada em uma das músicas do meu adorado conjunto. Parece gozação, mas a memória começa a me pegar pois eu não me lembro nem do nome da música e nem do disco, mas deixa para lá. Vocês devem conhecer, essa música é cantada por John Lennon com o auxílio luxuoso de Ravi Shankar.

Minha ex-sogrinha fofa, sabendo que eu gostava de cítara, me deu um disco do Ravi e também nos presenteou com ingressos para ver o show dele na Sala Cecília Meirelles, casa de espetáculos voltada para música clássica (essa informação estou dando para quem não mora no Rio). No convite estava escrito: TRAJE PASSEIO COMPLETO.

Comprei um lindo vestido preto, fiz o cabelo e fui me arrumar na casa do meu ex-namorado que morava, naquela ocasião, na Ladeira de Santa Teresa, a exatos 10 minutos a pé da Cecília Meirelles. Ele lindão de terno e gravata e eu um pouco desconfortável porque estava me sentindo a Lili Monstro, com um vestido preto muito justo, a pele infinitamente mais branca do que eu tenho hoje e o cabelo quase preto chegando próximo a cintura, lisinho. Eu realmente estava um colosso, mas meio esquisita visto que eu era uma menina bem novinha.

Bom, o mico já começou quando descemos a ladeira com todos os olhos olhando para a dupla, ao chegarmos na Rua da Lapa, reduto da boemia carioca, com todas as tribos possíveis e imaginárias, mais observados ainda fomos, em parte pelo inusitado, em parte porque realmente estávamos muito bonitos. Meu coração estava apertado, mas só depois é que eu fui descobrir o motivo.

Ao me aproximar da Sala quase caí para trás. Só tinha hippie e hare krishna. As pessoas mais novas que estão lendo essa mensagem não tem idéia do que era um hippie no início dos anos 70. Poucos filmes traduzem a maneira como eles se vestiam. Lembro-me de uma moça com o cabelo que parecia uma juba de leão, só que quase até a cintura com uma tiara na cabeça e um espelho retrovisor de carro em cima. Se você falasse com ela iria ver a sua própria imagem. Um circo dos horrores e eu no meio daquela turma. Falei com o meu namorado de então que era melhor irmos embora, ele disse que não, que iríamos ver o show que não começava de forma alguma. O mais engraçado é que apesar de estarmos deslocados, absolutamente ninguém estava dando a menor importância para nós, graças a Deus. Vocês já viram o filme Hair? Eu participei de algo parecido naquela noite, estava esperando a qualquer momento alguém cantar "Let the sunshine, let the sunshine in, the sunshine in..." ou "Good morning starshine..." ou "Aquarius, aquarius...". Convém esclarecer que essa peça estava passando nessa ocasião.

Até que chegou um momento em que um fotógrafo se aproximou de nós e indagou se nos incomodaríamos de tirar uma fotografia ao lado da família do embaixador da Índia que até então não tínhamos visto. A família composta pelo marido, mulher e uns dois ou três filhos estava impecavelmente vestida com suas melhores roupas. A mulher estava lindíssima usando um sari (aquela roupa indiana) maravilhoso, o homem parecia um nababo de filmes americanos do tipo Simbab, os filhos lindões também. Nós fomos as únicas pessoas que foram convidadas para essas fotos que eu não tenho a menor idéia onde ou se foram publicadas.

Começado o show, curti tudo o que podia, o cara realmente é dez e valeu pelo "sofrimento" que padeci, mas aprendi a lição: trajes passeio completo e a rigor não valem numa cidade como o Rio de Janeiro onde as pessoas só usam o que realmente gostam, um local onde você encontra de noite o rapaz de sunga e chinelo e a menina toda livre, leve e solta com uma canga amarrada na cintura, ambos tomando chope de noite em um barzinho na mesa ao lado de uma família vestida sobriamente e ninguém se incomoda com ninguém. Tudo bem, é legal, mas meio esquisito, rsrsrs. Cada macaco no seu galho.

E vocês já pagaram um grande mico por conta de roupas inadequadas? Gostaria de saber.

Beijocas
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