Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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21.12.2007 - O QUE É O NATAL PARA MIM?



Bom amigos, não sei se isso é meme ou outra coisa qualquer. Só gostaria de dizer que tenho lido belos posts sobre o assunto e gostaria também de dizer o que vem a ser o Natal para mim.

Em primeiro lugar, tive uma mãe amorosa e no entanto rigorosa quanto à nossa educação. Então, lá em casa era assim: um ano o Papai Noel nos dava um monte de presentes, no outro ano era o das crianças carentes. Dessa forma, eu e meu irmão só ganhávamos um único presente cada um nos anos de penúria. Logicamente, os parentes nos davam outros, como também a minha mãe sempre ajudou quem precisava ano após ano. Essa era a maneira que ela encontrava de nos mostrar que existiam crianças que dariam tudo para viver a nossa vida.

Pois bem, não quero falar sobre a estratégia terrível que a minha mãe utilizava para nos mostrar que o buraco era era bem mais em baixo, então vamos falar sobre o que era agradável. Morávamos em uma rua bucólica em um prédio com quatro apartamentos em três andares. Os doze apartamentos ficavam de portas abertas e todos nós comíamos e participávamos das festas dos demais. Era um grande família que se amou e ficou junta por vários anos.

Tudo era festa e alegria. Meu pai sempre foi uma figura ausente, mas enquanto fez parte da nossa vida, era mais do que especial. Aliás, foi ele que mostrou para a mamãe a importância da festa natalina. Mamãe, nordestina que era nascida em uma época diferente, nunca recebeu presente algum na sua infância, nunca soube o que era Papai Noel e a noção que ela tinha, sem nenhum trauma, era que o Natal se resumia ao presépio que ficava na praça principal na cidade onde ela nasceu - Grajaú (MA), à missa do galo e ao coral cantando músicas religiosas. Ela foi feliz assim e sentia nostalgia de algo que praticamente faria qualquer criança infeliz nos dias de hoje.

E assim cresci nessa mistura de cultura nordestina e européia, ambas mais do que maravilhosas. Pois bem, voltando ao assunto natalino, foi meu pai que trouxe as tradições européias para a nossa casa e minha mãe incorporou todas elas. Eles nos fizeram acreditar no Papai Noel até quando quisemos, só que não éramos burros e bem cedo descobrimos que ele não existia, mas nos comprometemos a não contar o nosso segredo de "adultos" para as outras crianças.

A ceia era mais do que farta, mas nada de extraordinária. Só tivemos nozes, avelãs, etc, enquanto meu pai viveu conosco, depois acabou porque não gostávamos muito. Ele fazia uns pratos franceses maravilhosos e em alguns anos comemos peixe. Vocês conhecem alguma família que coma peixe no Natal? Só a nossa, rsrsrs. Também tinha uma certa combinação entre os vizinhos para não repetir o cardápio. É interessante dizer que enquanto fui criança nunca comi peru, aliás nem eu e nem ninguém do meu relacionamento. Só fui conhecer esse prato depois que a Sadia começou a vender quando já era mocinha. Chester? Presunto defumado? Nunca ouvi falar. Então o pernil era o prato soberano nesse dia e com muita gordura, porque naquela época desconhecíamos o que era o colesterol.

Outra coisa, não existia amigo oculto e ninguém ficava paranóico tendo que comprar presente para a D. Conceição do 301 ou para a Vevé do 104. Cada família comprava presentes apenas para os seus. Antes da ceia coletiva começar, descíamos para o jardim do prédio e rezávamos. Não tínhamos o hábito de assistir a missa do galo, então a nossa prece era só nossa, com direito a cantar músicas natalinas. O disco predileto era do harpista paraguaio Luiz Bordon que até hoje vende.

Quanto à decoração, nossa casa ficava linda. Era não só a árvore como também enfeites espalhados pela sala. Tudo feito pelo meu pai, pelos meus avós paternos e depois pelo meu irmão. Quatro artistas que sabiam transformar qualquer sucata em obra de arte. Como vocês já sabem, o meu pai foi maquetista, logo para ele era fácil montar qualquer coisa. Vovô era pintor e teve algum sucesso. Vovó era bordadeira de mão cheia e também teve destaque. Então era um monte de bobagens lindas de se ver. Tivemos até presépio feito com miolo de pão.

Nunca ouvi nenhuma conversa sobre o fato do Natal ter virado uma festa comercial, porque não era assim naquela época. Era uma festa de amor ao próximo e também a Jesus. Nós realmente comemorávamos o aniversário d'Ele. Quando as crianças ficavam totalmente esgotadas, iam dormir para esperar o dia seguinte e ver os presentes que o Papai Noel tinha deixado. Então a rua ficava cheia de meninos e meninas mostrando as suas preciosidades. Nada rico, nada acima das posses de nenhuma família, apenas o essencial para uma criança ser feliz.

O tempo passou, uma pequena parte da minha família materna foi morar no Rio e logo incorporaram essas tradições todas. Ficou melhor ainda. Gostaram tanto que o meu tio morreu no dia 20.12.1975 e no dia 24 fizemos a festa como se absolutamente nada tivesse acontecido. Logicamente estavam todos tristes, mas ainda assim mantivemos o hábito. Eram muitos adolescentes e crianças para ignorar.

Natal para mim é mais do que especial. Não entendo as pessoas que dizem que é uma festa triste porque lembra gente que já morreu e de tempos outros. Ora bolas, toda família tem alguém que já morreu e não vai ser por essa razão que eu vou deixar de viver enquanto estou viva. Se até judeu não ortodoxo comemora, porque sempre tem alguém da família que se relacionou com cristãos, por que eu não vou festejar o nascimento de Jesus?

Então amigos, para finalizar, quero desejar a todos um Feliz Natal e um 2008 repleto de muitas alegrias para todos nós, que sejamos abençoados com muitas graças e que aconteça alguma coisa neste planeta que permita que pessoas que vivam no limbo da sociedade possam se transformar em gente com todos os seus direitos assegurados. Que não tenha também nenhuma criança sendo infeliz pelo descaso familiar e/ou de autoridades competentes. Todos nós merecemos ser felizes, então que venha a felicidade para todos nós.

Beijocas e até 2008.

Yvonne