Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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31.10.2007 - PESSOAS QUE PASSARAM PELA VIDA E NÃO VIVERAM OU NÃO APRENDERAM



Amigos,

Uma amiga da minha tia morreu nesta semana. Uma vida triste que finalmente acabou. Ela foi o estopim para que eu escrevesse este texto. Todos os nomes são fictícios e algumas situações foram modificadas para que não seja possível identificar as pessoas. Vejamos:

GRACE (A AMIGA DA MINHA TIA) - Ela era uma moça belíssima e trabalhava no escritório de uma joalheria juntamente com minha tia. Um dia um rapaz foi chamado para fazer o catálogo das jóias que seria apresentado aos turistas que estavam para chegar no carnaval. Isso em mil novecentos e antigamente quando praticamente não existia propaganda no Brasil. O rapaz ficou encantado pela moça e sugeriu que ela, linda como era, seria a modelo ideal. Além disso, se apaixonou por ela. Não houve jeito de ela se deixar fotografar e muito menos aceitar o galanteio. Ela se achava horrível e ainda sofria muito por se considerar ser humano de segunda categoria. Tenho as fotos do casamento da minha tia e ela aparece sempre com seu sorriso triste, sem maquiagem e vestido simples. Rosto feito a mão pelo próprio Deus em um momento de rara inspiração. Tanto fez que acabou virando feia, sem graça, sem ninguém, sem ser feliz. Morreu sozinha em um apartamento no Catete sem ter ao menos a companhia de um gato. O corpo só não ficou vários dias no apartamento até que começasse a feder, porque a mulher do porteiro fez um bolo e levou um pedaço para ela. Ao enterro, foram menos de dez pessoas. Dei esse nome por causa da Grace Kelly que era parecida com ela.

CAROLINA - O nome é em homenagem à música Carolina (o tempo passou na janela e só Carolina não viu). Perdeu a virgindade com um homem casado quando tinha 18 anos. Nunca vi esse homem que vai ao apartamento dela três vezes por semana e não demora quase nada. Paga todas as suas despesas, mas não lhe faz nenhum carinho. Deve gostar muito dela, porque essa história já dura mais de vinte anos, mas ainda assim é um poço de frieza. Felizmente ela trabalha. Ela só pode sair com os amigos que ele consente. Não conhece nenhum deles, mas pelas histórias ele sabe quem é de confiança. Ela aceita essa situação e não trai o cara de forma alguma. Um senhor se apaixonou por ela que se sentiu tremendamente ofendida e chorou copiosamente para mim quando estávamos na praia no RJ. Esse senhor viúvo fez de tudo para ela ficar com ele. Ela nem olhava para a cara dele que acabou conhecendo outra mulher e vai muito bem obrigado. Enquanto isso Carolina com seus olhos tristes, guarda tanto amor que já não existe.

CÁSSIA
- A mais velha de cinco filhos que têm mãe dominadora. Nada demais, a mãe é daquele tipo que quase todo mundo tem. Passou a adolescência em crise para nunca mais sair. Os irmãos e amigos se casaram e ela brigando com a mãe. Dois irmãos se separaram e casaram novamente e ela brigando com a mãe. As pessoas tendo filhos e agora netos e ela brigando com a mãe. Tanto fez que nunca conseguiu ser adulta. Nasceu "filha de" e vai morrer assim. Marisa é um ano mais velha que eu, bem magrinha, com a aparência mais jovem do que a idade que tem. Só namora garotinhos e se sente feliz assim. A família mete o sarrafo, mas eu a compreendo. O corpo envelheceu, mas a alma ainda é de uma adolescente. Dei esse nome fictício em homenagem à Cássia Eller. Quem sabe ainda sou uma garotinha?

ANA
- O nome é por causa da Ana Jansen que foi uma mulher maranhense tão má com os escravos que mandou tirar todos os dentes de uma moça só porque o seu marido achou o seu sorriso bonito. São muitas lendas sobre essa mulher que já foi até motivo de samba-enredo. Pois bem, Ana é amiga minha desde o meu primeiro emprego. Ela se casou aos vinte anos com o único homem com quem se relacionou. Estão juntos até hoje. Mulher lindíssima. aliás das minhas amigas ela é a mais linda de todas. Teve duas filhas também bonitas e sempre fez observações racistas e preconceituosas. Vivia falando de uma amiga nossa em comum que é bissexual. Poucos comentários, diga-se de passagem, mas sempre demonstrando que não aceitava gente como ela. As filhas cresceram. A mais nova se casou com um negão e teve um filho mulato. A mais velha é gay, só que não faz o gênero "lesbian chic" e sim caminhoneira. Como a filha não considera a mãe amiga, quando tem algum problema é com a bissexual que ela conta. A situação só não está pior porque ela é muito bem orientada por essa amiga que pede a ela que vá devagar com a sua opção sexual, sem sair por aí agredindo os outros que não a aceitam. Da última vez que estive no Rio, me encontrei com a minha amiga que me mostrou as fotos do netinho que é lindo demais. Esse neto é uma das suas alegrias, mas ainda assim ela fez a seguinte observação para mim: "puxa, ele podia ao menos ter puxado o cabelo bom da minha filha". A vida passou uma rasteira nela e até agora ela não aprendeu nada, ainda se preocupa com o cabelo da criança. Sei que não é planejamento de mãe alguma ter uma filha masculinizada demais, mas se a moça é assim, a única coisa a fazer é aceitar e torcer para que ela seja feliz do jeito que ela quiser.

Beijocas

Yvonne

P.S.: Amigos, amanhã terá blogagem coletiva sugerida pelo Lino sobre o assunto Paz na Terra. Quem quiser participar é só contatá-lo e dar o nome do blog para divulgação.


P.S.2: No dia 05.11, a Luci, o Ronald e a Luma estão pedindo às pessoas para também fazerem uma blogagem coletiva sobre a Ana Virgínia que vem a ser aquela moça brasileira que se encontra presa em Portugal. Sei que são duas blogagens bem próximas uma da outra, mas ambos os assuntos são sérios demais e merecem a nossa compreensão. Dessa blogagem eu não irei participar por falta de condições, mas quero deixar a minha colaboração divulgando ou tomando outras medidas que possam ajudá-la.