Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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EU SÓ CUMPRIA ORDENS


Amigos, NÃO ESTRANHEM O MEU SILÊNCIO. ESTOU SEM CONEXÃO. QUANDO NORMALIZAR APAREÇO.


Faço parte de um grupo restrito na Internet que troca todo tipo de mensagem, desde piadas sobre papagaios até assuntos prá lá de sérios. Por razões que não lembro mais, falei há algum tempo sobre um episódio muito interessante que aconteceu durante a Segunda Grande Guerra.

Com a proximidade das forças de libertação, as guerrilhas francesas começaram a desencadear ataques isolados contra a guarnição alemã na cidade de Paris, sob o comando do General Dietrich von Choltitz, a quem Hitler havia pessoalmente determinado que resistisse aos aliados e, se necessário, destruísse a capital francesa, não só como um ato de vingança, mas para ganhar tempo e retardar o avanço anglo-americano na direção do território alemão.

Pois bem, o General Dieter que era militar, mas não era nazista e além disso tudo era um apaixonado por Paris, enganou Hitler o que pôde e o que não pôde. Dizia que as pontes todas, o Louvre, a Torre Eiffel, Notre Dame estavam cheios de explosivos. No entanto, ele não fez absolutamente nada daquilo, preferiu sofrer as conseqüências da ira de Hitler do que destruir aquela cidade tão linda.

São pessoas assim que fazem a diferença. Um dos argumentos que aspirantes a tiranos utilizam é a famosa frase "eu estava cumprindo ordens". Sei que a necessidade de sobreviver é o mais forte sentimento humano. Pela nossa sobrevivência, fazemos qualquer coisa, até mesmo aquilo que consideramos absurdo, mas eu acredito que chega uma hora que é preferível morrer.

Eu citei um caso acontecido na Europa, mas aqui mesmo no Brasil, tivemos o exemplo maravilhoso do capitão Sérgio Macaco que em 1968 se opôs a um plano do brigadeiro Burnier para explodir o gasômetro do Rio de Janeiro e a represa de Ribeirão das Lajes. A intenção era a seguinte: culpar os terroristas pela morte de centenas de pessoas, o que daria um basta aos comunistas que teriam suas cabeças cortadas com o aval da população enfurecida.

Sérgio Macaco repeliu a proposta energicamente e entrou em conflito com o brigadeiro. Por essa razão, respondeu a um processo sumário, foi para a reserva compulsória, tendo sido cassado meses depois pelo AI-5. Só teve os seus direitos reconhecidos cinco dias após a sua morte, em 1994, quando uma decisão judicial o promoveu a brigadeiro.

Não sei como deve ter sido a vida do Sérgio Macaco, mas posso imaginar que não deve ter sido fácil. Por outro lado, ele ficou em paz com sua consciência, sabendo que não foi o causador da morte de centenas de pessoas.

A disciplina militar é uma das bases das Forças Armadas e portanto as ordens não podem ser questionadas e sim cumpridas. Isso vem desde a Antiguidade e funciona dessa forma com sucesso. Não estou discordando dessa postura, mas devo admitir que existem ordens e ordens. Não é vergonha alguma ser um "pau mandado" na hierarquia militar, esta é a regra, mas daí a matar pessoas inocentes é uma história completamente diferente.

Não acompanhei este episódio naquela época porque eu estava me preocupando com a roupa que eu iria usar na festinha do final de semana, mas quero deixar aqui registrada a minha admiração por esse capitão que entrou pelo cano, mas fez aquilo que julgou correto.

Beijocas

Yvonne