Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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FESTINHAS INESQUECÍVEIS

Amigos,

Morei até os meus 17 anos em uma rua maravilhosa em um prédio com uma vizinhança que era uma verdadeira família. Meus pais sempre estiveram a frente do seu tempo curtindo todo tipo de música, até mesmo o rock e o twist que fazia sucesso naquela época. Mamãe, apesar de ser uma mulher eternamente melancólica, gostava de qualquer novidade que surgisse no mercado, era bem moderna e adorava ver jovens apaixonados e se divertindo.

Pois bem, nós tínhamos uns vizinhos de porta que moravam em um apartamento pequeno de sala, quarto e dependências. O nosso era grande com uma sala enorme, três quartos imensos também e o resto. Essa família vizinha era constituída de um casal com uma filha adolescente chamada Gisele. No início dos anos 60 era bem comum as festas nas casas das pessoas, não existiam boates para jovens. Logo, Gisele não poderia dar uma festa em seu pequeno apartamento. Meus pais que sempre tiveram a sensibilidade de entender os "grandes problemas" que os jovens tinham, fizeram algo que, mesmo naquela época de uma maior gentileza, ninguém faria.

Eles emprestavam a sala do nosso apartamento para Gisele e seus amigos. Havia uma porta que isolava os demais cômodos. Essa porta ficava fechada, como também a da cozinha e área de serviço, apenas a sala ficava disponível. Os móveis eram afastados, alguns eram levados para o nosso corredor para dar mais espaço para que as pessoas ficassem dançando. O apartamento ficava de porta aberta e o banheiro e cozinha que os convidados usavam eram os da casa da Gisele.

Minha mãe não participava de nada, é lógico, mas ficava excitada por todo o dia ajudando a Vevé (mãe da Gisele) a fazer os salgadinhos. Apesar dela ficar muito satisfeita com tudo, havia um grande problema: EU QUERIA FICAR NAS FESTAS. Ninguém me convencia que não era possível. Eu chorava, esperneava e nada. Ficava em pé olhando as pessoas dançarem pelo buraco da fechadura.

Um dia, a Gisele já de saco cheio deixou eu ficar na festa. Devia ter uns 10 anos e foi a minha estréia na "noite". Mamãe disse que eu ficaria até as 22h e para mim essa festa foi uma glória, ganhei uma roupa mais para jovem do que para criança, fiz o cabelo no salão e fiquei crente que estava abafando. Os "rapazes" deviam ter no mínimo uns 16/17 anos e eu lá metida no meio daqueles "adultos", mas fiquei bem bonitinha observando tudo. Até que chegou o grande momento: Conrado, primo da Gisle, que eu conhecia a vida toda me tirou para dançar (anos mais tarde soube que ele só fez isso por insistência da Vevé, tia dele). Eu era muito criança e muito boba para pensar em qualquer coisa ligada a namoro, mas aquela dança me fez ficar completamente apaixonada por ele, 6 anos mais velho que eu. A "nossa música" foi Perfídia com o Trini Lopez, ídolo dos jovens. Todo mundo percebeu que eu estava simplesmente maravilhada e apaixonada por ele que devia estar fulo da vida. Foi apenas uma dança, mas que me fez sonhar por muito tempo. Passei a viver em função das visitas que ele fazia aos parentes. Parece mentira, mas desde essa festa eu praticamente parei de brincar, passei a ser uma mocinha. Fiz minha mãe comprar todos os discos do Trini Lopez e os demais que tocaram na "minha" festa.

Infelizmente aquela foi a última, logo depois a Gisele desenvolveu grave doença e sua vida virou um grande problema, ela morreu há poucos anos, virgem, sem ter tido um grande amor. Sua juventude acabou naquela época. Conrado nunca me deu a menor bola, mas eu tenho um carinho enorme por ele exatamente por ter me pedido para dançar, mesmo que mais tarde eu tenha descoberto que foi de má vontade. Foi um momento inesquecível.

Beijocas

Yvonne

UPDATE: Se alguém quiser saber se tem texto seu plagiado, é só acessar a página http://www.copyscape.com/ e colocar o endereço do seu blog.