Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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GUERRA DO IRAQUE


Amigos, considerando a minha atual fase sem inspiração, estou lançando mão dos meus alfarrábios para postar mais um texto para vocês. O abaixo foi escrito tão logo começou a guerra do Iraque. Vejam como continua atual.


Minha família, tanto por parte de pai como de mãe, sempre teve uma postura anti-americana. Minha avó teve o seu visto negado há muitos anos atrás quando quis conhecer o estado de Louisiana e seus pântanos sem fim. Ela que era uma francesa super fina e culta nunca teve vontade de visitar nada que tentasse brilhar mais que o sol, entretanto queria conhecer New Orleans. Uma vez quando eu era criança, disse a ela que queria ir à Disneylândia, ela retrucou dizendo que aquilo não tinha nenhuma importância na vida, valia mais a pena as minhas brincadeiras de rua.

Exageros a parte, fui crescendo ouvindo essas histórias. Queria dividir com vocês uma delas: meus avós viviam dizendo para mim que o povo francês sofreu mais nas mãos dos americanos depois da guerra do que com os alemães durante. Eu ouvia aquilo tudo sem dar a mínima importância e creditava na conta da milenar rixa entre bretões, normandos, anglos, saxões, etc. Nunca dei ouvidos.

Só que mais adulta ouvi de um casal de franceses a mesma história e passei a fazer uma espécie de pesquisa junto às pessoas que eu tinha a oportunidade de conhecer. Realmente, de acordo com as informações que eu ouvi, foi mais ou menos assim que aconteceu. Todas as pessoas mais velhas disseram que havia um clima de guerra que inviabilizava qualquer relacionamento fraterno, mas que ainda assim os alemães tinham mais educação. Já com os americanos eram tempos de paz e reconstrução da Europa. Foram humilhações impostas por conta do fato dos franceses terem sido facilmente dominados pelos alemães e que só foram libertados do jugo desses, graças a intervenção americana. Não deixa de ser verdade. Só que os EUA não iriam mandar os seus meninos morrerem na França por amor aos franceses. Houve interesse e muito.

Os alemães, mesmo tendo cometido uma das maiores atrocidades da história da Humanidade, tinham uma postura mais educada do que a dos americanos. A grande maioria dos oficiais deslocados para a França, eram apaixonados por tudo que esse país significava. Tanto é assim que no final da segunda guerra quando Hitler estava mais maluco do que nunca e deu ordens expressas para que os militares tocassem fogo em Paris, o General Dietrich von Stoltitz simplesmente se recusou a tomar tal medida (vejam o filme Paris está em chamas?). Ainda bem.

Não sei qual teria sido a postura dos jovens yankees caso o Tio Sam tivesse ordenado a mesma coisa. Não dá para comparar posturas de indivíduos, muito menos de um grupo coletivo, mas fica essa dúvida dentro de mim. Agora vemos um povo com ódio no coração querendo de qualquer forma que haja uma guerra em nome da democracia. Deixa ver se eu estou entendo bem: para que o mundo ocidental seja feliz, é necessário que o Iraque seja trucidado. Vou pensar nesse assunto pelo menos 10 horas por dia para ver se algum dia eu entenderei essa lógica.

Não gosto do Saddam Hussein que ordenou que seus soldados fossem cruéis quando invadiram o Kuwait. Também nunca respeitou o direito dos curdos. No entanto, qualquer bebezinho recém nascido sabe que foram os americanos e ingleses que ensinaram todas as táticas de guerra, forneceram armas químicas e tecnologia que os EUA e Inglaterra dizem que o Iraque tem. Nós aqui do Brasil também ganhamos muito com essa "amizade" com o povo iraquiano. Não mencionarei quais foram as vantagens porque não quero sofrer processos, mas quem mais antigo sabe do que estou falando.

No início dos anos 90 quando os sérvios cometeram as maiores atrocidades nos Balcãs, ninguém, absolutamente ninguém fez nada no início. Deixaram aqueles povos eslavos entregues a própria sorte. A Iugoslávia que era um país comunista com excelente qualidade de vida nas mãos do General Tito, acabou virou uma terra de ninguém. Só houve intervenção americana e européia quando o Milosevic estava mais maluco do que nunca e prometeu ao povo sérvio que iria invadir outros países e formar a Grande Sérvia. Só assim as belas adormecidas do mundo dito civilizado acordaram do seu sono de pouca importância com qualquer outra coisa que não sejam os seus umbigos.

Agora, os EUA estão muito preocupadinhos com o pobre povo iraquiano. A preocupação é tamanha que já tem até uma estrutura de governo para o pós-guerra. Isso é o máximo do progresso: antes de bater, separa o bandaid para colocar em cima da ferida e ainda tem a cara de pau de dizer para o agredido que ele apanhou para o seu próprio bem.

Essa conversa fiada seria excelente caso o Iraque fosse um país merda qualquer sem petróleo e os EUA não tivessem que importar 50% do petróleo que precisam. Você conhece algum país civilizado que tenha dado importância aos problemas que Angola teve por 25 anos? E os conflitos na Etiópia e Eritréia? São países que nada têm a oferecer a ninguém, por isso vivem no abandono. Já Kuwait, Iraque e Irã são merecedores de toda a nossa atenção, interessante não?

Beijocas
Yvonne