Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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GOVERNO PRÁ QUÊ? Primeira Parte

Antes de ontem estava na praia conversando com um grupo de amigos quando lá pelas tantas nos demos conta da decadência do nosso país. Vejamos dois itens que acho importantes e outros sem importância alguma. Na segunda, falarei sobre previdência e segurança. Vejamos:

EDUCAÇÃO - Sempre estudei em escola pública. Meus pais nunca pagaram um único centavo com o meu estudo, com exceção da caixa escolar que não era obrigatória. Quem podia dava uma importância que ajudava quem não tinha condições. Esse valor era usado para compra do uniforme e do material didático. Fiz o primário na Escola México (onde estudou Vinícius de Morais) que fica próxima a uma favela, a Dona Marta. Éramos classe média e pobres juntos no mesmo espaço e nunca houve preconceito algum. O único senão era a hora do recreio em que os mais necessitados faziam uma refeição com tudo que tinha direito. Nós, os "ricos", levávamos os nossos lanches, pois já tínhamos almoçado. Para não criar constrangimento, a diretora dava uma desculpa qualquer. Quando acabei o ginásio e quis ser normalista, meu avô virou-se para mim e disse assim: "Vai querer ser uma professora primária e morrer de fome? Vai fazer um curso profissionalizante ou Direito porque você dará uma ótima advogada". Ainda bem que ouvi os conselhos do meu sábio avô. Hoje em dia, com exceção de alguns colégios que ainda fazem parte da primeira divisão como o CEFET, alguém tem coragem de por um filho em escola pública? Vejam só, o grande poeta Vinícius de Morais aprendeu a ler e a escrever em uma escola que tinha vasta biblioteca, sala de ciências com um um monte de coisas interessantes, inclusive um esqueleto, com banheiros e salas de aula rigorosamente limpos e professoras que já ganhavam mal, mas que trabalhavam com amor e carinho. E hoje em dia?

SAÚDE - Minha família nunca teve plano de saúde até uns vinte anos atrás. Minha avó teve derrame em 1968 e ficou um mês internada no Pró-Cardíaco. Para quem não sabe, foi nesse hospital que a mãe do Collor ficou até morrer. Lugar de gente bacana. Meu avô APOSENTADO pagou das economias dele um mês de internação com tudo que tinha direito. Parece até piada, mas houve um tempo que aposentado tinha dinheiro guardado e podia bancar uma despesa dessa. Lembro-me com carinho da minha querida tia quando estava grávida do meu primo e que todos os meses fazia o pré-natal em um hospital público. Nós íamos para o exame de rotina e depois dávamos uma andada até as Lojas Americanas comer um cachorro quente, fazer compras e no final tomar um sorvete de morango. Sim amigos, quando eu era criança não existia shoping e era naquela loja como também na Sears e na Mesbla que ficávamos por dentro das novidades. Ninguém pagava exame algum e muito menos tinha preocupação em um momento de infortúnio, pois os hospitais públicos eram de primeira grandeza. Agora, volto a perguntar: vocês têm coragem de viver sem um plano de saúde contando com o governo?

Como já disse anteriormente, na segunda falarei sobre previdência e segurança, mas por enquanto, gostaria de esticar um pouco mais o papo. Vejam só, falei com saudades de um lanche nas Lojas Americanas. São pequenos detalhes sem a menor importância para quem não viveu aqueles tempos, mas que fazem uma enorme diferença. Era um Brasil mais ameno em que os ladrões furtavam ou roubavam sem necessariamente matar. Em algum momento que eu não sei dizer qual foi houve uma ruptura de valores e a coisa desandou para nunca mais voltar.

Sempre tivemos governos corruptos, problemas gravíssimos e canalhas, mas existia uma certa hombridade e os pobres eram dignos. No que diz respeito a favelas e bairros de periferia deste imenso país, a grande maioria dos moradores de lá é composta de gente que quer ser feliz de acordo com as suas posses. No entanto, a violência está tão disseminada que quem nasceu bom passa a ser bandido.

Beijocas

Yvonne