Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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JURÁSSICA

Amigos,

Sou jurássica do tempo em que as crianças faziam formatura no pátio da escola e cantavam diariamente o Hino Nacional. Para quem é mais novo, deve estar achando que eu estou delirando, mas os colégios já foram assim. Eram formadas duas filas para cada turma: uma de meninas e outra de meninos, as duas por ordem de altura. Eu fiz o primário nos anos de 1961 a 1964. Logo, não tinha nada a ver com o regime militar.

Sou jurássica do tempo em que quando um professor entrava em uma sala de aula, todos os alunos se levantavam em consideração e respeito.

Sou jurássica do tempo em que as meninas que já tinham peitinhos nascendo tinham que colocar uma combinação em baixo do uniforme. Para ser sincera, não sei ao certo se o nome é combinação porque, se não me falha a memória, combinação vai até os joelhos. O que nós éramos obrigadas a usar era uma espécie de blusinha que ia até a cintura.

Sou jurássica da época em que chamávamos nossas professoras de Dona Fulana e não de Tia Fulana.

Sou jurássica da época em que nove alunos foram sumariamente expulsos do ginásio, em pleno mês de agosto por terem faltado a aula (fazer gazeta) para ir para o Aterro do Flamengo.

Resumo da ópera: sou jurássica do tempo em que nada era permitido. Se tivesse estudado em um colégio militar não sentiria nenhuma diferença. Apesar disso, nunca fiquei maluca e precisei de um psiquiatra para me livrar desse trauma. Talvez o motivo seja o meu rigorosíssimo código moral que não permite nenhum tipo de indisciplina. Uma vez meu pai falou que eu parecia filha de alemão com japonesa e não de francês com brasileira. É por aí.

Por outro lado, havia um carinho maior pelo nosso país. Nós amávamos o Brasil, acreditávamos que era o melhor lugar do mundo e que teríamos um futuro brilhante. Com a ditadura militar, essa idéia ficou mais reforçada ainda nas crianças e jovens que não tinham acesso ao que acontecia no país por detrás dos bastidores.

O que me causa perplexidade é que a grande maioria dos políticos é mais velha do que eu. Logo, eles também tiveram o mesmo tipo de educação que eu tive e ainda assim não respeitam as instituições. Eu sei que o meu "papo" está nacionalista e marcial demais, mas é que sinto uma certa saudade de ver brasileiros acreditando no Brasil. Hoje eu acordei meio cara pintada.

Patriotismo não é cantar o hino quando tem copa do mundo, é muito mais do que isso. É saber que a nossa terra é maravilhosa e merece ser tratada com carinho, respeito e admiração. É saber cantar o hino brasileiro e ficar com lágrimas nos olhos por ter tido a dádiva de ter nascido no melhor país do mundo, apesar de tudo.

Prá terminar, caso alguém tenha se esquecido da letra do nosso hino, entre
aqui
e mate as saudades de cantá-lo completo e não editado.

Milhões de beijocas nacionalistas

Yvonne