Se todos os dias são iguais, torne-se diferente

Yvonne

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Brasileira, ariana nascida no Rio de Janeiro, morando atualmente em Guarapari, mulher, esposa e mãe. Gosto de artes em geral, de ler, de trocar idéias, de praia, de cinema, de tomar cerveja e de dar boas gargalhadas.

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EU QUERIA SER A FEITICEIRA



Amigos,


Um dos meus sonhos de adolescente era fazer parte de uma família americana. Eu adorava ver os seriados em que todas as pessoas eram felizes, generosas, assexuadas, corretas, amorosas, honestas e sem nenhuma ovelha negra na família. Lassie, Papai sabe tudo, Os Waltons e tantos outros que povoaram os meus sonhos. Por que a minha família não era daquele jeito? Eram tantos dramas que, ao contrário dos filmes, nunca terminavam. Achava legal as pessoas acordarem de madrugada e colocarem os robes para ir à cozinha beber um copo de leite. As mulheres sempre lindas e maquiadas. Os maridos sempre dispostos a fazer qualquer coisa HONESTA para manter o clã unido. E as orações agradecendo a Deus pela oportunidade de estar fazendo aquela refeição? Tudo muito lindo.
A minha "ídala" era a Feiticeira porque, além de tudo que eu mencionei acima, ainda tinha a possibilidade de mexer o nariz e resolver qualquer tipo de problema. Não tinha empregada, morava em uma casa imensa, mas estava sempre linda fazendo algum prato especial para o marido mantenedor do lar. Nunca brigavam e parece que também nunca faziam sexo. Sexo para quê se eles conseguiram realizar o tal sonho americano? Ah, como eu queria ser a Feiticeira!
A medida que fui crescendo, vi que o buraco é mais embaixo. Aliás, põe mais embaixo nisso. O mais interessante é que mesmo sendo novinha, eu sempre tive o hábito de ler. Livros do tipo "A morte do caixeiro viajante" ou "Um bonde chamado desejo" que mostram um outro tipo de família americana me davam a impressão de que aquelas pessoas eram exceções. As normais eram aquelas dos seriados televisivos.
Essa idéia errônea que eu tive por um bom tempo inexplicavelmente é a meta a ser alcançada por quase todos os americanos. O ideal é jogar os problemas, taras, angústias, medos e defeitos para debaixo do tapete. Mostrar só aquilo que pode ser mostrado. O preço a ser pago por tantos anos de mentiras é altíssimo. Basta ver o número de adolescentes que vão à escola armados e matam um monte de colegas. Normalmente esses alunos são justamente aqueles que são marginalizados por serem feios, nerds ou diferentes daquilo que julgam certo.
Amigos, nosso país está muito doente, mas pelo menos temos o álibi da grave desigualdade social que também existe nos EUA, mas que nem se compara à nossa. Além disso aqui não existe sonho americano e não somos a terra das oportunidades. Doença por doença, a deles é muito pior do que a nossa, basta ver que todo mundo lá anda armado porque a paranóia é grande.
Acredito que estamos vivendo o início da queda do Império Americano. Quando li recentemente que as forças armadas estão oferecendo "green card" para estrangeiros lutarem na Guerra do Iraque, lembrei-me do Império Romano que recrutou bárbaros para fazerem parte do seu exército. Tudo muito parecido.
Vamos ver no que vai dar. Ainda há tempo de colocar a prepotência de lado e olhar para o resto do mundo com olhos mais generosos. Acho meio difícil, porque depois do 11 de setembro eu pensei que eles fossem melhorar, mas pelo visto ficaram mais imperialistas ainda. Ainda existe essa possibilidade, eu só espero que eles a vislumbrem.
Beijocas
Yvonne